Sweet Talk com Tiago R. Santos

Tiago R. Santos iniciou o seu trabalho de argumentista com Call Girl, seguindo-se a Bela e o Paparazzo, os Gatos Não Têm Vertigens,  o Leão Da Estrela e Amor Impossível.

Escreveu para séries como Liberdade 21, Conta-me como Foi e Filhos do Rock.

Este ano o Tiago realizou a sua primeira curta-metragem Vícios para uma Família Feliz.

Sweetforty: Parabéns pelo filme “Amor impossível” ter sido eleito o melhor filme, nos prémios Sophia deste ano. Qual foi a cena que te deu mais gozo escrever neste filme?

WP7AZBCXTiago R. Santos: É muito raro ter prazer enquanto escrevo, por isso nenhuma. Há sempre uma responsabilidade e uma incerteza se o que estou a escrever é bom – tudo isso faz parte do processo criativo e já estou habituado a lidar com esse pânico, mas nunca se torna mais fácil.

SF: Realizaste a curta-metragem “Vícios para uma família feliz”. Já tens argumento para realizar uma longa? Se sim, onde te inspiraste?

TRS: Já tenho, sim, e concorri agora com o Tino Navarro – o produtor com quem tenho colaborado há quase uma década – ao apoio às Primeiras Obras do ICA. Não faço ideia se vou ganhar, só posso esperar pelos resultados. E onde é que me inspirei? Em mim próprio, nas coisas que estão à minha volta, em questões que me coloco sobre o que significa estar vivo e como é que conseguimos encontrar ordem num mundo caótico. É uma resposta estranha, eu sei, mas na verdade o argumento também o é.

SF: Que conselho darias, a quem esteja a pensar seguir a profissão de argumentista em Portugal?

TRS: Que pense duas vezes e mude de ideias. Este país não é para argumentistas. Com a excepção das novelas, produzimos muito pouca ficção, quer em cinema quer na televisão (mesmo que a RTP esteja agora a apostar em séries, o que se aplaude), o que implica que há um défice de oportunidades de trabalho. Sei que me tenho safado, o que apenas prova que é possível ganhar a vida com esta profissão que quase não existe, mas é tramado, é acabar um projecto e não saber o que vai aparecer a seguir e é viver com essa instabilidade toda a vida – eu gosto de não saber o que vai acontecer, mas não é para todos, o que compreendo.

SF: O que estás a escrever agora?

TRS: Estou a preparar uma série para a RTP com dois amigos, o João Tordo e o Hugo Gonçalves.

SF: O filme da tua vida é…

TRS: Pulp Fiction, ainda. Não é o melhor filme que já vi, mas foi o que me despertou a vontade de ser argumentista. Quando o vi, só pensava como devia ter sido incrível inventar aqueles diálogos e aquelas situações.

SF: O pior filme que viste até hoje foi…

TRS: Não faço ideia. Qualquer coisa com o Adam Sandler, provavelmente. Detesto esse gajo em tudo o que faz – com a excepção honrosa do Punch Drunk Love, do P.T. Anderson.

SF: Por preferência, escolhe entre os dois:

  • Quentin Tarantino vs.  Irmãos Coen – Neste momento? Coen.
  • Star wars vs. Indiana Jones – Indy all the way.
  • Charlize Theron  vs. Julia Roberts – Charlize, claro, basta ver o Mad Max. Long Live “Imperator Furiosa”.
  • Bruce Willis vs. John Travolta – Vou para o Bruce Willis, apesar de tudo. Porque o Travolta é muito irritante com a cena da cientologia e se tornou num canastrão. Ambos o fizeram, na verdade, mas pelo menos o Bruce Willis tem sempre aquelo sorriso no canto da boca de quem sabe que está a fazer merda.
  • Super Homem vs. Batman – Empataram, certo?

Muito obrigada Tiago,  desejamos-te as maiores felicidades para os novos projetos.

 

 

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