Será que podemos ser verdadeiramente felizes sem filhos?

Dizem que é mais fácil abrirmos o coração a pessoas que não conhecemos bem e deve ter sido esse o caso.

Uma senhora minha conhecida, da geração dos meus pais, certa vez, inesperadamente durante um almoço informal, confidenciou-me uma das maiores mágoas da vida dela: não ter tido filhos. Ela e o marido casaram-se na casa dos 20 anos, sempre tiveram uma vida confortável, embora de muito trabalho, e queriam muito ter filhos. Tentaram, durante vários anos, sem sucesso. Mais tarde, recorreram a um médico que, depois de uma série de exames, lhes deu o veredicto: não podiam ter filhos, devido a uma anomalia no sistema reprodutor dela. Não me disse exactamente o que era, apenas que a “culpa” era dela. Contou-me que nessa altura disse ao marido para a deixar e procurar uma mulher que lhe pudesse dar os tão desejados filhos. O marido recusou-se e eles nunca tiveram filhos.

“Sabes, este desgosto tem-me acompanhado a vida toda. Mas custou mais no início. Depois, habituei-me à ideia de que não iria ter filhos e vivi a minha vida da melhor maneira que pude. Arranjei outros interesses, dediquei-me aos amigos, viajei. Nas piores alturas, procurei forças na única pessoa que me compreendia totalmente e que percebia o que eu estava a passar: eu própria. Normalmente, à noite, no silêncio, refugiava-me durante horas dentro de mim mesma, revia tudo o que se estava a passar comigo, muitas vezes chorava e depois de manhã, acordava sempre mais forte.”

Achei uma história de coragem, mas muito triste. Fiquei a pensar no que teria feito e como teria sido a minha vida se não tivesse tido filhos. Muito diferente, de certeza.

Alex

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