O Segundo Filho

Quando engravidei do segundo filho, percebi logo que ia ser diferente. Na primeira gravidez, o meu marido, tratava-me como se eu fosse um vidrinho. Não me deixava fazer nada, era tão atencioso, só faltava andar comigo ao colo.

Na segunda gravidez, o meu filho já tinha dois anos, e sempre que pedia ajuda ao meu marido, dizia-me que a gravidez não era doença. Por acaso, para mim era quase uma doença, andava sempre enjoada, estava com mais vinte quilos, e só me apetecia dormir.

No nascimento do segundo filho, estamos mais descontraídas. Já não vamos a correr, sempre que há um gemido, não tiramos uma fotografia por dia, não se imprime as fotos do bebé, não se esteriliza a chupeta, nem vamos a correr ao médico ao primeiro espirro.

O bebé, que no meu caso foi uma bebé, já não foi tão mimada, nem tão protegida. Ainda me lembro, quando nasceu o mais velho, estava sempre stressada, e preocupava-me por tudo e por nada. As minhas conversas eram sempre à volta da criança: “Será que tem frio, ele hoje não comeu tudo, dormiu pouco, está muito chorão, acho que está rouco… ”. Com a rapariga a minha única preocupação, era que o mano pensasse que ela era uma boneca, e a magoasse.

Já não devo ir ao terceiro filho, mas se fosse, julgo que seria criado por lobos, por esta ordem de ideias.

Não há dúvida que mimei muito mais o primeiro filho, e agora tenho que partilhar o mimo pelos dois. O que não dei em mimo, dei em independência, e a mais nova parece a mais velha.

O amor que tenho pelos dois, não é dividido é multiplicado. Só espero que os miúdos saibam, que os amo da mesma maneira, especialmente quando a minha filha me vier perguntar, porque é que o irmão tem mais fotos que ela.

Sweet kisses

Maria

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