O que separa a minha infância da dos meus filhos?

Ontem estava a negociar com a minha filha mais nova, que tem quase 5 anos, as horas diárias que podia ver desenhos animados.

Combinámos que de manhã, podia ver o que quisesse até às oito e meia, que é a hora de ir para a escola; depois de chegar a casa, podia ver duas horas. Sei que é muito tempo, mas essas duas horas, entre as sete e as nove da noite, são interrompidas pelo banho e pelo jantar.

Para a convencer que era uma sortuda, disse-lhe que “no meu tempo” eu tinha, quando muito, uma hora por dia de desenhos animados (nem tenho a certeza se tínhamos mesmo uma hora). Muitas das vezes, nem gostávamos assim tanto dos “desenhos” que víamos, mas só tínhamos essa opção e era melhor que nada. As crianças, agora podem escolher, entre mais ou menos 10 canais com desenhos animados, e ver a qualquer hora do dia.

Com a ideia de lhe mostar como era preveligiada, e parar de reclamar com o número horas impostas para ver TV, digo-lhe que antigamente, não havia telemóveis, nem tablets com jogos. E que a mãe tinha um computador “Spectrum“, que demorava meia hora a “arrancar” e era lento como tudo.

Acrescento que não tinha a roupa da Cinderela, da Elsa, da Anna, e da Branca de Neve. Quando queríamos  “brincar às princesas“, enrolávamo-nos em lençóis e fazíamos o nosso próprio fato.

Não havia CD’s; só discos em vinil, e quando queria ver telediscos tinha de esperar que passassem  na televisão!… Há 30 anos atrás não havia Youtube.

Tínhamos telefone; não havia telemóveis com Apps.

De repente olhei para a carinha dela… estava  muito atenta. Apercebi-me que eu  parecia a minha mãe, quando ela me dizia que “no tempo dela” não havia televisão… Apressei-me a acrescentar que fui muito feliz quando tinha a idade dela, pois brincava na rua, jogava ao elástico,  à Bota Botilde, saltava à corda… Fazia a roupa das minhas bonecas em papel, andava de bicicleta, fazia caças ao tesouro!

No final perguntou-me: “Mãe, o que é a Bota Botilde”?

Sweet kisses

Maria

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