É pró menino e prá menina!!…

1.- Depois de um verão assolado pela tragédia (incêndios, avionetas e árvores a matar gente inocente), até me tinha esquecido que ainda estávamos em agosto e na típica silly season. Mas o mês ainda não tinha acabado e a polémica rebentou, finalmente, em forma de livro de atividades para meninas e para meninos, o que tanto chocou a malta a banhos, preocupadíssima com a igualdade de género.

Confesso que o tema me interessa, embora não possa dizer que alguma vez me tenha sentido discriminada por ser mulher, quer na faculdade ou depois no trabalho. De resto, nascida depois do 25 de Abril, fui educada no sentido de que as mulheres e os homens têm os mesmos direitos e nunca me passou pela cabeça que pudesse não ter as mesmas oportunidades na vida do que o meu irmão, só porque sou… mulher. Contudo, sei que tive sorte, porque essa não é a realidade de todas as mulheres, mesmo que estejamos a falar apenas do nosso país.

Em todo o caso, também não me parece que seja com episódios tão fúteis como este que se promove efetivamente a igualdade de género, embora sempre tenha tido o mérito de levar as pessoas a pensar e a falar sobre o tema, e só por isso já valeu a pena.

2.- Por falar em exemplos fúteis, também os livros da Anita (que atualmente em Portugal se chama Martine, por imposição de uma estratégia obtusa de marketing, para a tornar uma “marca” universal) deveriam pura e simplesmente ser retirados de livrarias e bibliotecas, como já foi sugerido, por transmitirem às crianças um modelo sexual estereotipado, de mulher simples e prendada, típica fada-do-lar, o que é, precisamente, o oposto da igualdade entre o estatuto das mulheres e dos homens.

Mas a realidade é que ao falarmos sobre este tema e ao denunciarmos as situações em que se verifica desigualdade (mas sem radicalismos absurdos) estamos a apoiar a promoção da igualdade entre os sexos e a melhoria do estatuto das mulheres.

Alex

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