Chamem-me tudo, menos isso

Neste Domingo, num almoço entre amigas, apercebi-me que nós (as mulheres), não gostamos que nos chamem malucas…

Uma das minhas amigas até disse: “…chamem-me de tudo, menos isso!”; até dizia: “Prefiro que me chamem rato do esgoto!”. Também não é preciso tanto …

Engraçado… nós mulheres não gostarmos de estar associadas à loucura. Às vezes sinto que estou a um passo disso, mas lá vou aguentando.

Uma pessoa não pode ser alegre, falar e rir alto, que somos logo conotadas como histéricas ou malucas.

A verdade, é que temos todos os motivos do mundo para endoidecermos. Desde a adolescência, que mensalmente as nossas hormonas andam aos saltos. Quando ficamos grávidas, levamos mais uma dose hormonal. Ainda não recuperámos do parto, já estamos a amamentar de três em três horas e quase não dormimos, e parece que nunca mais voltamos a dormir. Mesmo assim, temos que estar sempre lindas e frescas, por fora! Porque por dentro, só nós sabemos.

Além de, continuarmos a ser fustigadas mensalmente pelas hormonas, temos que ser boas profissionais, de sorriso nos lábios, tomar conta dos miúdos, ser amante do nosso marido, ter a casa sempre limpa e arrumada, ter tempo para ir ao ginásio, dizer as coisas certas. Às vezes, dá vontade de dar um murro na mesa e começar aos berros pela rua fora, mas não o fazemos. Vamos segurando o barco e nunca damos a entender, que dentro de nós existe um turbilhão de sentimentos desejosos de vir cá para fora.

Uma mulher finge, quase desde o berço, que está serena e consegue lidar com tudo. Muitas das vezes escondendo todos estes sentimentos. Logicamente, quando alguém nos chama malucas, não está a reconhecer todo este esforço efetuado ano após ano e, por isso, não podemos admitir que nos chamem malucas. Por isso já sabem, se não querem ver uma mulher a enlouquecer a sério, não nos chamem isso!

Sweet kisses

Maria

 

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