A PRIVILEGIADA

Na semana passada recebemos um parceiro na minha empresa, por causa de um projecto importante que andamos a tentar desenvolver e o qual me tem ocupado praticamente todo o tempo de trabalho do último ano.

Eles eram três. Simples, práticos e despojados de vedetismo.

Nós erámos uns tantos mais, não fosse a hospitalidade tuga que tanto nos diferencia ser um pretexto para justificar um batalhão de gente a recebê-los, como se de sua Alteza se tratasse.

A maioria de nós tinha acima dos 50 anos e eu, como quase sempre, a mais nova e a única mulher.

Segundo um deles, “uma privilegiada” por poder participar em tão honroso projecto!

Entre cumprimentos exagerados e coffee break prolongado, percebi pela nova agenda que a privilegiada só iria participar quando de reuniões de trabalho se tratasse e que aos jantares só iriam homens.

Precisamos de ficar mais à vontade, beber uns copos, falar de futebol e perceber o seu verdadeiro interesse estratégico no projeto”.

Durante o jantar recebi várias sms com dúvidas sobre o projecto. Cheguei a receber uma chamada para discutir uma ideia nova sugerida pelo parceiro.

Como esta situação passar-se-ão n por todas as empresas, instituições, partidos políticos e até mesmo em muitas famílias.

Quando deixaremos de ser as “privilegiadas” e teremos acesso ao lugar que é nosso por direito?

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Beijinhos

Catarina

 

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